28 abril 2006

Tele freak

Primeiro foram apenas mais uns desaparecimentos misteriosos. Depois a coisa começou a espalhar-se como uma praga. Todos os dias chegavam mais notícias de pessoas que se volatilizavam no ar. Começou então a esboçar-se um padrão, que ligava os desaparecimentos ao uso do telemóvel. Aquilo podia acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar. Bastava atender um telefone móvel. Por essa altura espalhou-se o pânico e começaram a correr rumores, que ligavam estes acontecimentos inquietantes aos suspeitos do costume: o terrorismo internacional, os extraterrestres, os serviços secretos das grandes potências, enfim a teoria da conspiração revisitada. Os noticiários abriam com os últimos desaparecimentos do dia “o deputado do parlamento europeu, que desapareceu perante a comissão de inquérito que o interrogava sobre corrupção”, “o recluso de uma prisão de alta segurança, que se “evadiu” perante a estupefacção dos guardas”, etc. Todas as notícias referiam um denominador comum, as pessoas evaporavam-se enquanto usavam o telemóvel. O medo espreitava por detrás de um trivial toque de telefone. Atender um irritante toque polifónico podia ser o último acto de uma vida. Ou o princípio de outra coisa qualquer. O seu telefone está a tocar, vai atender?
to be continued

1 Comments:

At 20:36, Blogger Mill said...

acho q vou passar esta informação a todas as produtoras q conheço!

e mais não digo

 

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